introdução
O coração da Amazônia não apenas pulsa; ele dança em um compasso frenético que mistura tradição ancestral e modernidade eletrônica. O Carimbó e Calypso do Pará representam muito mais do que simples gêneros musicais; são a identidade viva de um povo que transformou o isolamento geográfico em uma explosão de criatividade que hoje pauta o pop nacional.
Neste mergulho profundo pela sonoridade do Norte, você descobrirá como o tambor de tronco escavado do Carimbó se fundiu com as guitarras caribenhas para parir o Calypso, influenciando artistas que vão de Caetano Veloso a Pabllo Vittar. Prepare-se para entender por que o Pará é, tecnicamente, a maior fábrica de hits orgânicos do Brasil.
Para compreender a magnitude dessa evolução e como ela se encaixa no mosaico cultural do nosso país, não deixe de conferir o artigo A Alma Sonora do Brasil: Guia Completo pelos Ritmos Musicais Brasileiros que Dominam o Mundo.
O Nascimento do Carimbó: A Raiz de Tudo no Pará

O Carimbó e Calypso do Pará têm uma origem que remete ao século XVII, nas vilas de pescadores e agricultores da região do Salgado Paraense. A palavra “Carimbó” deriva do tupi korimbó, que significa “pau que produz som”, referindo-se ao tambor artesanal feito de troncos de árvores.
Inicialmente, o ritmo era uma expressão de resistência e celebração dos negros escravizados e indígenas. Com o tempo, incorporou elementos da cultura luso-brasileira, como os instrumentos de sopro e o estalar de dedos, criando uma sonoridade única que se espalhou por cidades como Marapanim e Curuçá.
Mestre Verequete e Pinduca são os nomes sagrados aqui. Enquanto Verequete manteve o “Carimbó de Raiz” ou “Pau e Corda”, Pinduca, o Rei do Carimbó, eletrificou o ritmo nos anos 70, introduzindo guitarras e baterias, o que abriu as portas para o que viria a ser o Carimbó e Calypso do Pará moderno.
A Evolução para o Calypso: O Toque Caribenho na Amazônia
Nos anos 80 e 90, as ondas de rádio vindas do Caribe (Guiana Francesa, Suriname, Trinidad e Tobago) começaram a influenciar os músicos paraenses. Ritmos como o Merengue, a Cúmbia e o Zouk desembarcaram nos portos de Belém e foram “paraensizados”.
Dessa mistura entre o balanço do Carimbó e Calypso do Pará, surgiu uma sonoridade mais acelerada, marcada por solos de guitarra ultra-rápidos (a famosa guitarrada) e letras que falavam de amor e cotidiano. O Calypso paraense não é apenas uma cópia do ritmo trinitino; ele possui um DNA amazônico inconfundível.
A grande diferença reside na batida da bateria e na forma como o baixo conduz a harmonia. Enquanto o Calypso caribenho foca em metais, o Carimbó e Calypso do Pará prioriza a “cozinha” rítmica pesada e as melodias choradas das guitarras de mestres como Aldo Sena e Mestre Vieira.
O Impacto Cultural do Carimbó e Calypso do Pará no Brasil

O Brasil demorou a olhar para o Norte, mas quando o fez, foi arrebatado. O fenômeno da Banda Calypso, liderada por Joelma e Chimbinha nos anos 2000, provou que o Carimbó e Calypso do Pará tinham força comercial para derrubar os muros das gravadoras do Sudeste.
Eles venderam milhões de discos de forma independente, utilizando um sistema de distribuição que hoje é estudado em faculdades de marketing. Mas o impacto vai além dos números: a estética visual, as danças coreografadas e a energia do palco influenciaram o figurino e a performance de artistas da nova geração.
Tabela: Diferenças Fundamentais entre Carimbó e Calypso
| Característica | Carimbó (Raiz/Moderno) | Calypso do Pará |
| Instrumento Principal | Tambor Curimbó e Maracas | Guitarra Elétrica e Teclados |
| Origem | Indígena, Africana e Portuguesa | Fusão do Carimbó com ritmos caribenhos |
| Dança | Rodas, saias rodadas, pés descalços | Coreografias rápidas, saltos, par |
| Velocidade | Moderada a rápida (swingado) | Muito rápida e frenética |
| Principais Nomes | Mestre Verequete, Pinduca | Banda Calypso, Companhia do Calypso |
A Guitarrada: O Elo Perdido entre os Ritmos
Não se pode falar de Carimbó e Calypso do Pará sem mencionar a Guitarrada. Criada pelo Mestre Vieira com o disco “Lari Lari” em 1978, esse estilo transformou a guitarra no “vocalista” da música.
A Guitarrada é o que dá o tempero especial ao Calypso. Ela pega o balanço do Carimbó e Calypso do Pará e o traduz em notas curtas, rápidas e cheias de efeitos de chorus e delay. É um som que remete imediatamente à umidade e ao calor das tardes de Belém.
Atualmente, grupos como o Strobo e o Guitarreiro mantêm essa chama acesa, fundindo o Carimbó e Calypso do Pará com sintetizadores e batidas eletrônicas, criando o que se convencionou chamar de “Tecnobrega” e “Tecno-calypso”.
O Papel das Aparelhagens na Difusão dos Ritmos
O Carimbó e Calypso do Pará não sobrevivem sem as Aparelhagens. Essas estruturas gigantescas de som, luz e tecnologia (como o Crocodilo ou o Super Pop) são os templos onde esses ritmos são celebrados e testados.
Um DJ de aparelhagem tem o poder de transformar uma música de Carimbó e Calypso do Pará em hit nacional da noite para o dia. A cultura das aparelhagens democratizou o acesso à música e criou um circuito econômico paralelo que sustenta milhares de famílias no Pará.
É nessas festas que o Carimbó e Calypso do Pará se fundem com o povo. Onde a tradição do tambor de Verequete encontra o laser do século XXI. É uma experiência antropológica única que todo amante de música deveria vivenciar.
Influência na Música Brasileira Contemporânea
A força do Carimbó e Calypso do Pará é tão vasta que atravessou as fronteiras do estado. Artistas como Dona Onete, com seu “Carimbó Chamegado”, levaram a sensualidade do ritmo para os maiores festivais de jazz e world music do mundo.
No mainstream, vemos o reflexo do Carimbó e Calypso do Pará em:
- Pabllo Vittar: Que utiliza as batidas do tecnobrega e calypso em diversos hits.
- Gaby Amarantos: A “Expointer” que levou a estética do Pará para as novelas e o cenário internacional.
- Jaloo: Que mistura o misticismo amazônico com o eletrônico derivado do calypso.
- Luísa Sonza e Anitta: Que já incorporaram elementos rítmicos do Norte em suas produções para buscar o “swing” paraense.
Como Dançar o Carimbó e Calypso do Pará?
O Carimbó e Calypso do Pará exige fôlego e entrega. No Carimbó, a dança é um jogo de sedução. As mulheres, com suas saias imensas e coloridas, tentam “enrolar” o homem, que dança em volta tentando recuperar um lenço jogado no chão com a boca. É um balé circular, ancestral e hipnotizante.
Já o Calypso é vertical e acrobático. Exige um jogo de pernas veloz e, no caso das mulheres, o famoso “bater de cabelo” que Joelma imortalizou. O Carimbó e Calypso do Pará na pista de dança é uma forma de expressão corporal que libera as energias e celebra a vida de forma intensa.
O Reconhecimento como Patrimônio Cultural
Em 2014, o Carimbó foi reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Esse título é fundamental para preservar as raízes do Carimbó e Calypso do Pará, garantindo que as comunidades tradicionais continuem a produzir seus instrumentos e passar o conhecimento para as novas gerações.
Esse reconhecimento também ajuda a desmistificar preconceitos. Por muito tempo, o Carimbó e Calypso do Pará foram vistos como “música de periferia” ou de menor valor artístico. Hoje, a complexidade rítmica e a riqueza poética dessas obras são celebradas pela academia e pela crítica especializada.
Esses ritmos amazônicos também vêm ganhando espaço fora do Pará, aparecendo em alguns dos maiores festivais de música do Brasil.
Conclusão: O Futuro é Amazônico
O Carimbó e Calypso do Pará continuam em constante mutação. Seja no som das comunidades ribeirinhas ou nos grandes palcos de festivais eletrônicos, a essência permanece a mesma: a resistência cultural através da alegria.
Entender o Carimbó e Calypso do Pará é entender uma parte vital do que significa ser brasileiro. É reconhecer a nossa herança mista e a nossa capacidade infinita de reinventar o que vem de fora para criar algo genuinamente nosso.
Se você se sentiu inspirado pela energia vibrante desses sons, continue sua jornada musical. Descubra mais sobre a diversidade sonora que compõe o nosso país no artigo A Alma Sonora do Brasil: Guia Completo pelos Ritmos Musicais Brasileiros que Dominam o Mundo.
Belisa Everen é a autora e idealizadora do blog Encanta Leitura, onde compartilha sua paixão por explorar e revelar as riquezas culturais do Brasil e do mundo. Com um olhar curioso e sensível, ela se dedica a publicar artigos sobre cultura, costumes e tradições, gastronomia e produtos típicos que carregam histórias e identidades únicas. Sua escrita combina informação, sensibilidade e um toque pessoal, transportando o leitor para diferentes lugares e experiências, como se cada texto fosse uma viagem cultural repleta de aromas, sabores e descobertas.
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